Levantamento revela impacto emocional do diagnóstico e desafio para a autoestima feminina durante o tratamento.
Um levantamento realizado pela dermatologista Denise Ozores com suas pacientes revelou um dado preocupante: cerca de 70% das mulheres em tratamento contra o câncer de mama afirmam ter sido abandonadas ou afastadas por seus companheiros após o diagnóstico.
A oncologista, que também enfrentou o câncer e está curada há cinco anos, explica que a doença afeta gravemente não só a saúde física, mas também a autoestima, a identidade e os laços familiares. “O câncer vai muito além do corpo. Quando perdi os cabelos, descobri que a vaidade era só a superfície. A verdadeira beleza é a coragem de seguir”, relata Denise.
Segundo a médica, cerca de 80% das mulheres entrevistadas apontaram a queda de cabelo como o momento mais difícil do tratamento, até mesmo mais impactante do que as próprias cicatrizes de cirurgias. “Não é apenas uma questão de aparência. Muitas têm medo de serem vistas como ‘doentes’ e sentem que sua identidade está ameaçada”, explica.
O câncer de mama é o tipo de câncer que mais atinge mulheres no Brasil, com cerca de 66 mil novos casos a cada ano. Denise destaca a importância do diagnóstico precoce: “Quando descoberto em estágios iniciais, mais de 90% dos casos têm chance de cura. Por isso, o autoexame e consultas regulares são tão importantes”.
A médica também se dedica a iniciativas que promovem o resgate da autoestima dessas mulheres, inspirando-se em projetos de automaquiagem em hospitais. Ela acredita que enxergar a beleza natural e aceitar as mudanças do corpo podem ser um caminho importante durante o tratamento.





