O jornal Financial Times recentemente publicou um longo artigo apontando como mudanças demográficas estão transformando de forma drástica a economia mundial. Basicamente, a combinação da contínua queda da taxa de natalidade com o sustentado aumento da expectativa de vida está virando de cabeça para baixo, de forma acelerada, a tradicional pirâmide etária demográfica.
O que acho oportuno analisar aqui é o Gráfico 1, reproduzido da reportagem do FT, que demonstra que o segmento conhecido como “idosos” cada vez mais procura formas de continuar ativo e produtivo. Com dados provenientes da Organização Internacional do Trabalho que dão destaque a países do G7, fica claro que mais e mais pessoas consideradas idosas pela classificação tradicional relutam em abandonar a vida ativa e produtiva.
O Japão lidera esse ranking com mais de 27% das pessoas acima de 65 anos ainda fazendo parte da força laboral — bem acima dos demais países do mundo. Isso reflete, talvez, uma combinação de vida mais saudável, necessidade de renda e uma cultura que simplesmente não valoriza o ócio. Muito pelo contrário.
Com apoio de dados disponíveis da sociedade brasileira, procurei fazer uma curva descritiva para nosso país, representada no Gráfico 2. Para minha surpresa, constatei que o Brasil se situa em torno de 22–24% ao longo do período de 2000 a 2024 — ficando atrás apenas do Japão e bem acima da média mundial. Isso reflete principalmente o grande mercado de trabalho informal do Brasil e a cobertura previdenciária limitada — fatores que empurra muitos trabalhadores mais velhos para uma condição de economicamente ativos por uma questão de sobrevivência financeira.






