Brasil, o país dos impostos: por que pagamos tanto e recebemos tão pouco

Mesmo com arrecadação recorde e reforma tributária em andamento, país ainda convive com carga elevada e má gestão dos recursos públicos

O Brasil é conhecido como o país dos impostos. Na quinta-feira (3), o Impostômetro — painel eletrônico que registra em tempo real a quantidade de tributos pagos pelos brasileiros — ultrapassou a marca de R$ 2 trilhões arrecadados neste ano. É o maior valor desde 2015 e representa um crescimento de 11% em relação ao mesmo período do ano passado.

Apesar da robustez na arrecadação, o país aparece entre os 30 com maior carga tributária do mundo e tem um dos piores retornos em serviços públicos à população. A recente tentativa frustrada do governo federal de aumentar a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para reduzir o déficit fiscal reacendeu uma discussão permanente: a elevada carga de impostos em contraste com um Estado ineficiente.

Mesmo com a aprovação da reforma tributária, pensada para simplificar o sistema e unificar tributos, a carga continua alta — e, em alguns casos, o peso sobre o consumo tende a aumentar. “O Brasil arrecada muito, tem um gasto público astronômico e não oferece ao cidadão e às empresas uma entrega compatível com o que pagam”, resume a tributarista Mary Elbe Queiroz, pós-doutora em Direito Tributário e presidente do Centro Nacional para Prevenção e Resolução de Conflitos Tributários.

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