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Aplicativos prometem ajudar usuário a equilibrar orçamento

SÃO PAULO – Uma das promessas mais repetidas quando chega a virada do ano, junto com planos de dieta e de voltar à academia, é colocar a vida financeira em ordem — compromissos que acabam se revelando mais desejos do que ações concretas. Mas em 2019, se depender das “fintechs” e dos bancos, as boas intenções financeiras podem mais facilmente sair do papel, ou melhor, do smartphone.

Diferentes aplicativos e soluções digitais para arrumar os orçamentos e aliviar o peso das dívidas acabam de chegar ou estão prestes a estrear nos celulares brasileiros neste início de 2019. Um desses gestores de vida financeira que promete ajudar os desorganizados veio dos Estados Unidos, mas tem DNA nacional.

Criado e desenvolvido por dois brasileiros com o objetivo de cuidar do dinheiro das pessoas, o aplicativo Olivia começa a funcionar no território nacional em janeiro. Além de mapear a vida financeira do usuário ao detectar seus gastos e a frequência deles, o aplicativo oferece dicas de como economizar no fim do mês sem deixar de lado hábitos e gostos.

Um dos principais diferenciais do aplicativo, que já funciona nos EUA há um ano, é o sistema de parcerias com outras empresas. Ao identificar o comportamento do cliente, o aplicativo passa a oferecer descontos em serviços de um de seus parceiros. “Se um usuário pede pizza sempre, mandamos uma mensagem sugerindo a ele desconto na pizzaria de um dos dos parceiros. Ele vai manter seu hábito, mas gastando menos”, afirma Lucas Moraes, fundador do “app” Olivia.

Outra solução oferecida no aplicativo, segundo Moraes, é sugerir corte de gastos para ajudar o usuário a quitar dívidas. Ao detectar algum empréstimo ou financiamento pendente, o aplicativo mapeia não só as finanças, mas o estilo de vida do usuário para encontrar formas de economizar. Um exemplo citado por Moraes que já funciona nos EUA vem da sugestão de uso moderado do ar acondicionado.

“Como lá já há uma maior conexão de eletrodomésticos com a internet, podemos detectar, por exemplo, que o usuário liga o ar condicionado em 20 graus Celsius. Então, a Olivia diz a ele ‘se você colocar em 25 graus, que também é uma temperatura boa, você economiza 30% na conta de energia, que cobre uma parte do seu empréstimo’”, afirma Moraes. Segundo o executivo, os americanos economizavam, em média, US$ 29 por mês e, com as dicas do Olivia, passaram a poupar US$ 211.

Outra fintech, o Guiabolso, que oferece uma das mais antigas soluções de gestão digital de orçamentos, planeja implementar mudanças em seu aplicativo. A intenção, segundo Thiago Alvarez, presidente da empresa, é que “deixe de ser uma ferramenta de controle financeiro e passe a ser uma plataforma de aconselhamento”. Para isso, a empresa pretende criar conteúdo próprio com dicas de investimentos e finanças e o direcionamento para notícias de economia que podem interessar o usuário.

Além das fintechs, os bancos têm investido em soluções em que o cliente pode classificar gastos e receitas mensais, e receber dicas de economia e investimentos. A iniciativa mais recente é o Simplifica, do Bradesco.

Lançado em dezembro para um conjunto de 50 funcionários do banco, que tem servido como grupo de teste, o aplicativo organiza automaticamente as despesas e receitas tanto da conta corrente do cliente quanto de seu cartão de crédito. O principal objetivo é ajudar o usuário a organizar seu orçamento mensal destinado a cada finalidade, como transporte,alimentação e lazer. Quando ele estiver perto de atingir a cota estabelecida para cada item, o aplicativo envia mensagens alertando a pessoa.

A ideia do Bradesco é lançá-lo ao público neste mês e, ao longo do tempo, adaptá-lo e torná-lo mais completo. “Um dos objetivos é que ele passe a dar dicas para você gastar menos. A ideia é que a gente traga inclusive informações não financeiras, como exemplos de consumo de água e de luz. Queremos mostrar ao usuário que pessoas com perfis parecidos com o dele gastam menos que ele nessas contas e dar dicas para fazer o mesmo”, afirma Marcelo Frontini, diretor de canais digitais do banco.

Quem também trabalha para lançar uma solução semelhante neste começo de ano é o Santander. Recentemente, o banco passou a oferecer uma ferramenta chamada “Meus Compromissos”. Nela, o cliente consegue mapear todas as suas dívidas do cartão de crédito e quanto paga de juros. “Ele vê o quanto já pagou de uma determinada compra, o que ele já quitou, o que falta quitar e também o valor que ele pagaria se quisesse quitar tudo naquele momento”, diz Cássio Schmitt, diretor de produtos de crédito do Santander.

Ainda janeiro o banco vai disponibilizar outras ferramentas de gerenciamento financeiro, como um organizador dos gastos, que deve incluir dicas para o correntista economizar. A ideia, segundo o executivo, é permitir que o cliente tenha mais acesso a outros produtos. “Vamos falar muito com o cliente sobre comportamentos que trazem uma saúde financeira mais positiva para ele. Vamos dar dicas que o ajudem a saber quais são os comportamentos que trazem uma melhor saúde financeira, que permite até um acesso maior a crédito de forma saudável e sustentável”, afirma.

A iniciativa do Itaú Unibanco existe desde novembro e já é usada por 35% dos clientes que acessam o aplicativo do banco. Segundo Lívia Chanes, diretora de canais digitais, por enquanto a ferramenta mapeia os gastos do cliente e os categoriza. A ideia, no entanto, é dar recomendações no futuro. “O próximo passo é isso, como ele gerencia os gastos para não entrar no vermelho, como se disciplina”, afirma a executiva. A fase agora é de “coletar os ‘feedbacks’ dos usuários para melhorá-lo.”

Dentre os grandes bancos de varejo, o Banco do Brasil (BB) é quem oferece uma ferramenta de gestão financeira há mais tempo. Desde abril de 2017, o aplicativo conta com a aba “Minhas Finanças”, que categoriza as receitas e despesas dos clientes e, assim como na proposta do Bradesco, possibilita que o correntista crie orçamentos.

O diferencial, segundo Paula Mazanék, diretora de negócios digitais, é o fato de o próprio app analisar o comportamento do usuário e sugerir mudanças nesses orçamentos.

“Temos 921 mil orçamentos criados e, desse total, esses orçamentos estimularam uma economia de R$ 941 milhões por mês. Isso dá uma economia mensal de R$ 1.022 para os usuários, em média”, afirma a diretora. No começo de 2019, o banco pretende sugerir investimentos com base nas informações dos usuários.

Fonte:/www.valor.com.br