Intoxicação por metanol: uma tragédia anunciada na saúde pública brasileira

É preciso compreender que impostos e fiscalização são instrumentos de proteção sanitária. Fiscalize, denuncie e exija produtos com origem atestada

A intoxicação por metanol volta ao noticiário não como um acidente isolado, mas como uma tragédia anunciada que expõe uma grave crise de saúde pública. Segundo o Ministério da Saúde, até esta segunda-feira (20/10), foram confirmados 47 casos e 57 estão sob investigação. Já foram descartadas 578 notificações. Ao todo, nove mortes foram confirmadas, com outras sete sendo investigadas. O cenário reforça a urgência de compreender os riscos que se escondem nas bebidas adulteradas.

O metanol é o álcool mais simples na natureza, amplamente utilizado como solvente analítico, insumo industrial e combustível. Em bebidas destiladas, sua presença é residual e natural, resultado da fermentação da pectina, uma fibra solúvel que compõe a parede celular de diversas frutas e vegetais. No entanto, a destilação correta é essencial: o descarte da fração inicial, conhecida como “cabeça”, remove compostos voláteis tóxicos, incluindo o metanol, cujo ponto de ebulição (64,7°C) é inferior ao do etanol (78,3°C).

A negligência nessa etapa eleva drasticamente o risco de contaminação, quando produtores clandestinos, visando maximizar o rendimento, frequentemente ignoram a separação correta das frações, misturando a “cabeça” e a “cauda” (esta última rica em outros contaminantes) ao produto final, transformando uma bebida malcozida em uma fonte potencial de intoxicação grave.

Saiba mais: Intoxicação por metanol: uma tragédia anunciada na saúde pública brasileira