Fim que ninguém quer: na velhice, morrer dessa forma pode doer muito.

Na velhice, não se perde apenas o vigor físico. É um processo de luto em série: perde-se o trabalho, os colegas de longa data, a libido, a audição, a beleza e, com eles, parte do que se entende como identidade. A finitude, que antes era teoria, agora ganha contornos reais.

Enquanto os cabelos embranquecem, cresce também uma urgência: falar sobre o fim. Mas há um obstáculo quase invisível: o medo dos outros sobre o tema. Segundo a psicóloga Cláudia Messias, muitos idosos tentam expressar seus desejos e angústias sobre a morte, mas são silenciados por filhos que, sem saber lidar, mudam de assunto com um “deixa disso, pai”.

A intenção de proteger é boa, mas o efeito é o oposto: isolamento emocional. “Falar sobre a morte não deprime. Pelo contrário, pode despertar o idoso para viver melhor o tempo que ainda tem”, explica o neurocientista do comportamento Yuri Busin. O que machuca é o apagamento, a negação da própria voz diante do fim que se aproxima.

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